Desvarios

CONJECTURAS E OUTROS MAIS

CONJECTURAS

O excesso de informações atormenta tanto quanto a janela aberta para o quintal vazio ao lado. Não há perspectivas em nenhum dos olhares ou pensamentos. Só conjecturas.

 

BARULHOS MENTAIS

O silêncio é a palavra que me conduz a um diálogo de surdos entre minha mente e meu espírito. Quanto mais barulho houver, menos pensamentos, menos intuições, menos diálogos, mais tranquilidade… Sou condenada a viver prisioneira de todos os sons para obter a calma ou a optar pelo silêncio e, em consequência disto finalmente obter e compreender, finalmente, a paz.

 

VIGILIA

Me encosto sobre a vigília dos meus atos e fico submissa a todas as esperas. Nenhum desejo pode sobreviver a esta agonia imensa e intacta diante do olhar que, vago, perde-se em tudo o que já se foi. Pouco importa o que virá ainda, é o nunca, soberano, que impera o delírio deste silencioso instante. E por isto, por isto e por coisa mais nenhuma, serei eterna na espera do nada e nada esperarei portanto, por nada ser. Nada.

 

DIVA…GAR QUE SÓ

Eu estava aqui parada olhando o céu pela janela, coisa que faço muito, muito. E aí, pensei: será que quando a gente vai pro céu tem café com bolinhos de banana, lá? Será que tem?

 

TEMPO CONJUGADO

Porque eu quero e me importa, todos os dias são hoje. Todos. São hoje. E presentes de tudo. Conjugados de forma admirável na forma presente do verbo perfeito que o universo criou para nos unir

 

EU SEI

Não ouvi as palavras porque não quis. Só o som que elas emitiam. E suas vibrações. A energia que delas partia

 

OLHANDO A CHUVA (2)

 

Chove. E eu deveria dizer ainda bem. Bem que eu deveria dizer. Ainda bem! Mas tenho uma certa vergonha. Porque eu, assim como os outros, também passei um tempão esperando o sol e o céu azul claro, aquele brilha e fica fazendo reflexo, aquele bem bonitinho que faz a gente pensar em praia, campo, comida ao ar livre e tudo o mais. Mas eu tô aqui no meu canto e sinto muito, não tô vendo o sol nascer quadrado e nem redondo. Ele aparece ali pela janela, por detrás das cortinas, ao longo das árvores, lá no alto do céu. E eu olho pra ele, ele me olha. E as vezes sinto um certo desdém. Dele pra mim e de mim pra ele. Então bem que eu gostei quando acordei hoje, abri a porta e ouvi os pingos da chuva. Senti o cheiro da chuva e pensei: que bom, tá chovendo! É, eu gosto de chuva. Não posso fazer nada, nem de conta, nem de mentirinha. Gosto de chuva e pronto.

 

PLASMA

Sem a parte líquida, coagulável do sangue, aquela na qual se encontram , suspensos?, os glóbulos sanguíneos… um vazio há de se instalar aqui por alguns dias… estou em transição… em vários aspectos, várias fases, várias camadas de mim…. E por isto mesmo aguardando o que de novo haverá ou não de ser gerado a partir daqui. Talvez algumas horas, talvez alguns dias. O tempo é aquela coisa estranha que está precisando de mim neste exato instante para certas coisas que eu não posso negar. E eu? Eu estou precisando do que eu disse no início: de plasma, desta substância, porção líquida do sangue, na qual se encontram os componentes essenciais para que haja vida. Mas acho que tenho o suficiente…. correndo em mim e em volta de minha aura… me aquecendo, protegendo.

 

Imagem by Unsplash

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