Contos e crônicas

TEMPESTADE

Descia como um raio furioso de um céu cinzento de chuvas e trovoadas. Descia e cortava, queimava, fazia mal. Era uma demonstração de cólera, mas no fundo era também um medo surdo. As palavras traduziam o mau humor repentino e incomodavam. Incomodava o mau humor e incomodava a reação. De onde vinha? Do frio que passava pela janela aberta, da dor que não cedia, da música insistente, dos planos recentes, dos… das… de onde vinha afinal tamanha gana? Responder poderia ajudar a aplacar os ímpetos mas ajudaria a amainar a causa? Quanto tempo choveria até que os céus voltassem ao azul claro e infinito? Quanto tempo e quanta pele, quantos raios e quantas mortes, quantos aguaceiros e quantos sobreviventes? Resposta singular, mas não única, o humor mudaria como mudava sempre. Melhoraria. Se tornaria sol e com gargalhadas iluminaria o dia. Até a próxima tempestade.

 

Imagem by  Loving Earth

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