Contos e crônicas

DO ALTO DOS PRÉDIOS

Do alto, pensamentos perdidos, observo os edifícios. De tão velhos, parecem favelas, casas mal-acabadas, janelas assombradas por raios de sol. São quase abandonados, os prédios, castigados pelo tempo, a pintura gasta com os anos e as desvalias das gentes acostumadas a olhar apenas de baixo para cima e sempre com a mesma indiferença daqueles que olham o que não interessa. Sem compaixão. Dentro deles, outras gentes que não olham e nem veem. Vivem no ritmo da segunda até domingo e do sábado até segunda. Sem espaço para feiras e folgas. Primeiras, segundas, terças e outros. Olho e vejo a imagem do desprezo que se cria e já faz tanto tempo que ninguém mais nota. Há formigas caminhando nas ruas e nuvens passando no céu. Nem o mar desassombra este conjunto triste de pedra, concreto em riste, apontando para um céu desinteressado e que há muito lhes deixou desamparados.

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