Desvarios

PENSANDO ALTO

O coração é a mente, a mente é coração. O que não for do coração mente. O que mente não vem do coração. E o coração está na mente. Não poderia ser mais racional, o coração. Cabeça que pensa, cabeça que sente. E a gente aponta para o peito, onde está o coração. Mas o coração que sente está na mente. Lá, onde ele não mente. Onde os pensamentos flutuam e esbarram com os sentimentos. Lá onde há espaço para a memória e dentro dela mora a saudade também. A cabeça que guarda tudo, esconde tudo, revela tudo. Cabeça-coração, coração-cabeça. O instinto e a razão. Tudo que se vê através do olhar e que nem sempre, nem sempre, os lábios ousam dizer.

 

Sonhos fazem parte de mim. Eles vivem em meu dia ainda mais que na noite. É que meus olhos, quando abertos, alcançam ainda mais longe o horizonte imaginário. Eu voo sem asas, eu viajo sem transporte, eu atravesso mundos sem sair do lugar. Sonhar é da minha natureza e os sonhos quando vêm junto ao sono, apenas confirmam o que desperta já descobri: eu não sou daqui!

 

Justifiquem-se os princípios e os fins…

se os meios estiverem

afins…!

 

Mundos se abrem diante de mim. Sob os meus pés, sobre minha cabeça. Mundos se abrem dentro de mim. Em meus sonhos vívidos, em minha mente fértil. Mundos se abrem. E eu me reparto em todas as que sou, fui e quero ser… adentrando cada um dos mundos sem nunca fechar as portas, apenas abrindo os braços para o que me espera!

 

A pressa que eu tinha aos vinte anos esvaiu-se com o tempo. Hoje tenho mais paciência, mais ciência das coisas. Assim é com todos, penso eu. A juventude abandona as asas e, já na maturidade, finca os pés com serenidade no chão. Para depois novamente resgatar as asas e voar, definitivamente, para outros horizontes.

 

Eu sinto coisas das quais falo. E sinto outras das quais não falo. Algumas coisas que sinto têm quase vida própria, outras ainda se refugiam tão fundo em mim, vivendo em perfeita simbiose. Tenho emoções à flor da pele; tenho emoções perdidas em cantos de mim. Sentimentos claustrofóbicos, sentimentos agorafóbicos. No fim, tudo o que sinto sou eu, esta mesma eu que se divide em tantas para poder existir neste mundo onde os loucos não tem seu lugar.

 

 

Magnífico!

O brilho da lua cheia
no céu vazio de nuvens
mas pleno de estrelas…

 

Teus olhos em mim
Tentáculos
de desejo
oráculo da paixão.
Tentação!

 

Imagem by Mitchell Joyce

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