Desvarios

TRECHOS: A PAIXÃO SEM EIXOS (5)

Adoro a lua cheia e seu explícito mistério a descer pelos telhados, incandescentes suspiros por tudo o que poderia ser; a ousadia de embebedar as mentes, liberando as emoções prisioneiras.

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Não irei. De jeito algum. Nada farei. É promessa. Vou ignorar. Vou me desligar. Ah!, se eu pudesse estar com os ouvidos fechados e os olhos também.

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Tenho vertigens ao te olhar nos olhos e pensar no mergulho que estes me oferecem. E tudo de comum se abate sobre mim: o frio que corre a espinha, o corpo que amolece, o estômago que se aperta. Como sou mulher quando estou perto de ti!

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És o proibido fruto que eu provaria sem pudor algum, experimentando o gosto a escorrer macio, me alimentando da polpa perfumada, alisando o veludo por prazer. Mas deixando-te lá, longínquo a balançar nos galhos, desejando tombar no meu colo, amadurecendo contra o tempo: nunca te colhendo, nunca te prendendo, nunca te querendo meu.

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Já me roubaste tanto, pirata ingrato, tão pouco resta a enterrar sob as areias da praia. Enfim, silenciosa fico a esperar o seqüestro.

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Farei de ti meu mar, águas salgadas, fortes vagas, movendo o profundo de tudo o que eu desaguar de doce, de manso, de fluido e sensual.

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Tremi. E o terremoto passou. Longe, a enchente penetrou minhas ruas. Umedeci. Se outro vento vier, um tufão, eu vôo pra ti.

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Se te invento, e o mundo é o meu momento, o que dirias tu de ver despido o corpo frágil diante de um espelho pleno de luzes e invocações, a te rogar a vida e a te encantar ainda, sendo imagem de mim… Se te sinto, e o sonho é o que minto, quem sabe virias passar a tarde ou a aurora, sob o carvalho e o suspiro de um sentimento ríspido a te lançar infinitamente aos infernos e aos céus do inconsciente eterno…

 

Imagem by Petras Gagilas

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1 Comentário

  • responder
    Maria (Nilza) de Campos Lepre
    11 novembro 2015 em 10 h 06 min

    Lindos pensamentos. Passou para o papel o que é amar sem fronteiras. Bjim.

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