Desvarios

TRECHOS: A PAIXÃO SEM EIXOS (4)

Ah, que os teus olhos estão cegos. E que bondade estarem eles assim. Para que te serviria ver-me toda tua, se não me reconheces sob as luzes, nem sentes meu perfume a te buscar?

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Perigo! Estou quase em vias de receber liberdade condicional! Estou condicionada a te roubar… estou querendo ser a tua presa.

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Ah, divino ser que me espera pelas esquinas das noites imensas e varando as páginas do planeta, me segue por toda a quimera. Ah, ser que vagueia o indefinido brilho da estrela, que veleja barco sem haver um porto, teu sonho eterno muito além eu sinto. Ah, te nego e te negarei à vida, jamais serei o ser que idealizas. Eu não serei de ti sequer a rima, serei somente a solidão contida.

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Que desejo louco eu sinto de te olhar profundamente, mansamente, perceber que já não minto, que é menor a insegurança. Ao pensar em existir, em deixar fluir a mulher e a criança, meu ser por inteiro que às vezes renego, que escondo e não entrego com o medo do falso e do verdadeiro. Ah, como sinto grande, quase explodindo em um furacão de paixões que segue e se expande. E tu pareces ter uma couraça a te cobrir em permanência, soas como solene ameaça, o olhar frio e descontente. Tudo isto me atinge sem necessidade quando penso em nós. Quanta vontade de expulsar-te agora e te pedir para não voltar mais. E eu que queria, simplesmente, ser e te fazer feliz para sempre. Devo ter esquecido que os contos de fada e as paixões são diferentes… as paixões têm fim.

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Arrasto tua imagem para mim e com ela tudo me permito.

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Como te quero, criatura adorada! Chego aos dias delineando pelas noites o teu corpo que eu tanto queria tocar. Acariciar suavemente cada parte de ti, ver teus olhos fechados, beijar tua boca e te fazer compreender que sou eu o teu par.

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Tão fixa me estranho a concentrar-me em ti. Se outros olhos existem e deles partem olhares que me buscam, suspeito a inutilidade. A hipnose me certifica a cegueira do sentimento que tenho aqui.

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Se for possível descrever o teu olhar perdido em mim, talvez seja também possível descrever a tua volta. Aonde foste, lá bem dentro de mim, nem me ouvias falar.

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E se um dia me tocares e desmanchar-se assim o encantamento, seguirei. Mas, se me tocares e tudo for preenchido, cada canto, cada vão, cada momento, onde poderei achar espaço no infinito para te viver?

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Imagem by Robert

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