Desvarios

TRECHOS: A PAIXÃO SEM EIXOS (1)

Qualquer dia destes eu vou morrer simplesmente, desta paixão permanente que me acende e incendeia, mas não tem veia para extravasar. Uma paixão pungente, forte e intermitente e que não me dá a ceia, não me oferece o banquete das carícias nossas de cada dia. Vou morrer calada, enfadada e estrangulada por um sentimento à toa, coisa de nada por ninguém, só por ser aquém do que se pode desejar normalmente. Vontade de não dormir e de partir sem ter aonde ir. Vontade de fechar os olhos e escrever as folhas, todas, antes de sumir. Vontade, somente vontade de fazer, dizer, querer, sem a resposta do ter, sem a vantagem do ser, ser a vingança do permanecer.

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Gostaria de invadir o teu espaço. Tomar conta dos teus pensamentos e negligenciar os teus desejos. Em troca, deixar-te permanecer em minha vida. Egoísmos da paixão unilateral.

 

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Sinto-me perdida, faminta da tua fome insaciável, querendo ter de ti os olhos, as mãos, tudo… deslizando sobre meu corpo frio e ausente. Os olhos que me devoram, as mãos que me incendeiam, a boca que me alimenta. Porque negar? És tu que me transformas e sou eu quem te venera. Longe do nosso canto único, és ninguém e eu também.

 

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Não tente me possuir de maneira alguma. Tem-me um pouco. Pertencer é um fato que me esgota.

 

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Ao me esperares na esquina tendo a certeza de seguir-me os passos, desfeita! Há muito passei por lá e, sabendo de tuas intenções, nunca mais voltei. Concordamos, sem nada acordar, que é melhor evitar os encontros.

 

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Às vezes, quando estou perto de ti, estou nua. E é pavor o sentimento que me veste, tentando afastar teus olhos para que não consigas me perceber. Não sei o que seria se me visses assim, tão disponível, um desejo inexplicavelmente louco de ser o teu corpo.

 

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Já sei o sabor do teu beijo. É de fogo.

 

Imagem by  BarnImages

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