Desvarios

SOBRE O TEMPO

São verdes as folhas das árvores, que vão beirando o rio e as ruas, cada qual com seu curso. Ou pelo menos eram, há bem pouco tempo atrás.

Agora, paradoxalmente ao sol que nos abandona, elas são amarelas, frágeis, e escorregam para o chão. E para a água. Nunca tinha pensado em medir o tempo através das árvores. Dividir as estações, conferir o clima, adquirir o hábito de observar a paisagem diária. As mesmas árvores, todos os dias, uma nova cena.

Agora, quando sem perceber caminho pelas calçadas, busco os troncos fortes. Quero saber se estão ainda vestidos de verde. Alguns, naturalmente cobertos de verde e amarelo me dão uma vaga lembrança. Mas é só uma sugestão, mais nada. Sei que logo, logo, ruas, calçadas, recantos e praças, tudo estará cheio de folhas amarelas, as árvores seminuas, o vento mais forte.  E enquanto o vento termina de despir cada galho, vou passando.

Me pergunto se nesta troca de estação não houve um vento que me tocasse a fundo. E respondo: talvez, pois muitos ventos vieram. Muitas trocas se fizeram e ainda fazem, entre um passo e outro.

É só caminhar. Sempre e sempre, só caminhar. Enquanto a árvore, silente, aguarda sua sina, o tempo vai e ela e eu vamos juntas.

Como der, como estivermos, para aonde for.

 

Imagem by Hans

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