Contos e crônicas

EXPECTATIVA

Pelo visto não tinha muito que fazer. Era esperar e esperar. Procurava, em seus pensamentos, não tomar decisões antecipadas. Tal um sentenciado à morte que desistira de tentar mudar a própria pena ficava ali, estático, olho na parede. Esperava fingindo calma, se imaginava bebendo um suco cheiroso e saboreando um pastel fresquinho de qualquer coisa. Pensava as pessoas à sua volta como outros clientes do mesmo café, conversando, tomando sol, provando as delícias. Enquanto pensava, vivia a espera que apontava em cruz: positivo – negativo. Uma crueldade, a ânsia pela resposta aguardada. E, no entanto, era tudo o que ele queria. E sabia que, ao conhecê-la, provavelmente sairia rindo sozinho. Se negativo. Ou carregaria consigo o fardo por tudo o que lhe sobrasse de vida. Se positivo. Ai de mim!

 

Imagem by geralt

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