Contos e crônicas

TANTAS IDADES

 

Ali pelos dez anos, a infância batendo as asas, a gente quer crescer porque se pensa que quem cresceu tem tudo. Depois se faz quinze e se achando já crescida e sabida, a gente pensa nos dezoito só pra alcançar a legalidade para certas coisas. Vem depois os vinte e poucos e nestes vinte e poucos a gente reclama muito, pois os sonhos pararam de crescer sob nossos olhos e nossos olhos deram de cara com uma realidade cobradora e inquisidora. Chegamos aos trinta como quem não quer nada, já com uma bagagem que se pensa enorme e ela é tão pequena e frágil. Aos quarenta a vida parece que volta a ter asas, o mundo algumas vezes dá voltas de cento e oitenta graus e a gente quase que reencontra em meio à realidade, aqueles sonhos que nos embelezavam a vida aos quinze. Vem os cinquenta e a verdade é que por mais que se esteja de bem com a vida, começa-se também a pensar na morte. Ela, a morte, passa a fazer parte da vida. Não há mais devaneios, há planos. Poderia escrever sobre os sessenta, os setenta, os oitenta? Ainda não… Mas pretendo! Enquanto isto, deixo ao encargo dos que aprendi a admirar e que podem, eles sim podem, escrever sobre o caminho depois dos cinquenta. E de todo jeito, ainda na infância ou em qualquer idade outra que avançando vai pela vida, todos temos o que dizer. Tomos temos porque somos únicos e a vida que nos recebe a cada manhã nos diz isto. Para viver é imprescindível carregar no coração todas as idades!

 

Imagem by kaboompics

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