Contos e crônicas

O OBSCENO DO GESTO

Ela olhou para frente e o viu, as mãos que se moviam pelo meio das pernas, de um lado para o outro, numa espécie de comichão desvairada por cima da bermuda surrada.

Foi quando pensou no quanto de íntimo poderia existir naquele gesto e na informalidade de presenciá-lo ali, no meio da rua. Absurdo. Comum. Estranho.

O obsceno do gesto nem foi o próprio gesto. Foi o seu olhar que, ruborizado, preferiria nem ter visto aquilo.

 

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