Desvarios

ESBOÇOS DA SAUDADE

As dunas se movem com o vento. Ninguém percebe, pois cada grão a mover-se rápido compõe a lentidão das areias brancas.
No céu, o branco das nuvens também se move. E o movimento torna-se perceptível somente à imaginação, quando algodão se pode ver, desenhos flutuantes a passar. Meus passos também são vagos, afundando de leve na areia, recebendo os toques das ondas.
Cada onda vem, mansa, bate em mim. Até sinto como se quisessem tocar-me mais fundo, mergulhar-me nelas, fundir-nos, fazer de mim parte dos seus grãos. Ao longe, o mar se mostra calmo. Mas como ele engana!
Quantas correntezas, quantas águas geladas, quando vidas obscuras ele oculta de quem dele se aproxima.
E mais ainda de quem mergulha. Mas perto da praia sua impaciência aflora em ondas e ele se joga, o mar lindo, lindo, curioso e carente, buscando sensações.
A paisagem que se desnuda é perfeita. Há tanto a ver quando a necessidade faz a demanda…
E finalmente penso que é a saudade, esta companheira de tanto tempo, quem me delineia esta paisagem…
Tenho os cabelos soltos, o corpo vestido confortável. Os olhos perdidos em coisas de mim, um sorriso querendo sair.

Caminho sem ter um rumo e isso não me preocupa. Tenho todo o tempo do mundo para descobrir.

 

Imagem by ThePixelman

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