Poemas

MINHA CASA DE ESPELHOS

Pois eu ainda seria a mesma que teus olhos viram

pela primeira vez

quando teus olhos queriam entrar nos meus.

Mas escolhi não ser.

Escolhi fugir da música

que dizia que ela fazia tudo sempre igual

e então decidi fazer diferente sempre.

Deixei que teus olhos se despissem de mim

se despedissem

daquela outra que habitou em mim

no passado.

Deixei assim e foste testemunha ocular de um crime:

o crime meu de não desejar existir para sempre…

para sempre igual.

Mudei e mudo, troco as mudas, mudo e grito as mudanças

e deste jeito elas nem sequer se acomodam figuras

em fotografias desusadas e esquecidas.

Teu olhar, se cair em mim de um momento para o outro,

perder-se-á com certeza neste labirinto que sou,

casa de espelhos refletindo imagens

que ora são, ora foram, ora serão.

Ao menos teu amor nunca terá sido dado em vão.

 

Imagem by InvisibleGirl

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