Contos e crônicas

MEU OLHAR BRASILEIRO (2)

O lago Léman, também conhecido como “o lago de Genebra”, é não só famoso no mundo inteiro como tratado com um respeito tal que nós brasileiros que temos mais de 8000 km de costa marítima, nem pensamos em ter. O lago começa em Villeneuve, uma cidadezinha vizinha de Montreux e vem terminar na pequena (pequena mesmo: 282 km2) Genebra. Mas é completamente aproveitado, bem cuidado, como um verdadeiro tesouro.
Genebra tem uma fronteira bastante longa de 107,5 quilômetros e, pasmem!, deste total 103 são fronteira com a França e somente 4,5 com a Confederação Suíça. Todo o restante, o que dá a continuidade territorial com a Suíça é garantido por uma faixa de territórios que une Genebra ao cantão (espécie de estado) de Vaud, também à beira do lago Léman. Genebra tem o que é chamado de «Petit lac», ou seja, a parte do Léman que entra no cantão de Genebra , ou seja, 38 km2.
O Léman é realmente tratado como mar, eu insisto. Tratamento de rei. Tem muitos portos e toda uma legislação que, rigorosa, acompanha cada acontecimento ( a “polícia da navegação”, está sempre de olho!). A mesma legislação também é aplicada aos rios, mas o lago, ele é o rei.
Genebra tem todo um serviço especializado em “natureza e paisagem” para cuidar do que eles mesmos consideram um patrimônio do mais alto valor. A preservação é coisa séria, gente.
Se todas as “praias” do lago funcionam bem, cheias de gente vindo fazer piquenique, churrasquinho, passar o dia em família, entre amigos, é porque o olho vivo deles está por perto. Há praias com arborização, outras abertas. Há locais somente com pedras, locais para banho nas marinas, praias pagas, praias com piscina… Há escolha. Eles tem um lago e alguns quilômetros e conseguem fazer a gente se sentir como se estivesse na Rivière francesa. Suíços são fogo.
E o internacional Jet d’eau, o enorme chafariz que jorra da margem esquerda do lago? Este não tem como perder de vista. De quase qualquer lugar da cidade, de lugares de onde não se espera ver, lá está ele. Algumas vezes mesmo no inverno frio.
No dia 25 de maio vai ser realizada uma Parada Naval. No lago. A edição 2008 da parada vai reunir a prestigiosa frota de barcos “Belle Époque”. Vou estar lá pela primeira vez. Vamos passar o dia num daqueles lindos barcos. Vamos embarcar em Lausanne e passar “a journée” navegando e vendo toda a festa de dentro do barco. Serão cinco magníficos barcos (“Montreux” de 1904, “Rhône” de 1927, “Savoie” de 1914, “Simplon” de 1920 e “Vevey” de 1907) e uma programação e tanto: haverá festa em todos os portos, todas as praias, cais e todos os barcos desfilando cheios de gente festejando.
Esqueci de contar, gulosa que sou: claro que o cardápio para o passeio de barco será excepcional que eles capricham. Mas… tivemos que reservar com muita antecedência, caso contrário nem entraríamos no restaurante do barco!
Como vocês podem ver, a gente tem o Atlântico, o Amazonas, o rio São Francisco, mais uma barbaridade de rios, lagos, lagoas… e o que fazemos de toda esta água?

Mais localmente: temos o Atlântico, a lagoa de Santo Antônio… e nem vou dizer mais… e o que fazemos de toda esta água????
Eles tem o Léman… só o Léman!

 

Imagem by Fotolia

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