Contos e crônicas

A LITERATURA E A SUÍÇA

Os suíços são amantes da leitura e da literatura em geral. Dos clássico aos contemporâneos, o pequeno país que lida com quatro línguas diferentes, tem uma tradição literária que circula entre as línguas nacionais.

De acordo com um estudo realizado em 2003 pela Secretaria Federal de Estatísticas, a leitura é um dos passatempos preferidos dos suíços. Mais de 75% dos entrevistados confessaram ler todos os dias.

Era suíço um considerável número de escritores de língua francesa dos séc. XVIII e do começo do séc. XIX. O mais famoso deles, Jean-Jacques Rousseau, nasceu e cresceu em Genebra. E Germaine de Stael, apesar de ter nascido e crescido em Paris, era originário da Família Necker de Genebra. Já Benjamin Constant, nasceu em Lausanne.

Mais recentemente, os autores suíços de língua francesa incluem Charles Ferdinand Ramuz, cujos romances descrevem as vidas dos camponeses e dos habitantes alpinos. Ou ainda Blaise Cendrars, que preferiu fixar residência em cidades grandes, como Paris. Jacques Chessex também tornou seu nome famoso na França ao ganhar o Prêmio Goncourt em 1973.

Nos dias atuais, dois autores suíços estão dando o que falar: Aude Seigne e Joël Dicker, todos os dois genebrinos. A primeira percorre o planeta com seu “Crônicas do Ocidente nômade” (Prêmio Nicolas Bouvier, 2011). O segundo questiona a América com “A verdade sobre o caso Harry Quebert”, uma ficção extensa que será traduzida em uma dezena de idiomas e que foi recompensada em 25 de outubro de 2012 com o Grande prêmio para romances da Academia Francesa e nomeado sem sucesso para o Prêmio Goncourt.

A literatura suíça em idioma alemão inclui os autores clássicos Jeremias Gotthelf um clérigo que escreveu sobre a vida campestre na região do Emmental e o romancista Gottfried Keller que na verdade era contra a ideia de uma literatura suíça – ele se autoconsiderava um escritor da literatura alemã.  

O personagem mais famoso da literatura suíça de lingua alemã ou em qualquer outra lingua nacional, é a pequena Heidi. Heidi é a heroína de um dos livros infantis mais famosos do mundo, de autoria de Johanna Spyri.
Robert Walser é um escritor suíço do começo do séc. XX. Hermann Hesse, autor de Sidarta, o Lobo da Estepe e O Jogo das Contas de Vidro, entre tantos outros, foi um escritor alemão que se naturalizou suíço em 1923. Um outro escritor alemão, que viveu durante longos períodos na Suíça, foi Thomas Mann, transformando famosa a cidade de Davos com seu romance A Montanha Mágica.

As figuras mais conhecidas da literatura suíça de lingua alemã na segunda metade do séc. XX são Max Frisch e Friedrich Dürrenmatt.

Escritores suíços em lingua italiana tendem a permanecer muito ligados à vizinha Itália. O escritor mais famoso desta parte foi Francesco Chiesa, que era tanto poeta como proseador. Outros poetas: Giorgio Orelli e Alberto Nessi, bem como as escritoras Anna Felder e Fleur Jaeggy. Giorgio Orelli foi premiado com a distinção literária suíça de maior valor, o Prêmio Schiller, uma honra compactuada tanto por Dürrenmatt quanto por Frisch.

A literatura em reto-românico existe desde o séc. XVI. Ela vem sendo escrita em diversas formas de dialetos já sedimentados. No começo do séc. XX, os trabalhos foram compilados em uma grande antologia com o nome de Chrestomathia, por Caspar Decurtins, linguista e escritor.

Escritores distintos e modernos da língua reto-românica incluem ainda o romancista Clà Biert, natural do Engadin, e a poetisa Luisa Famos, aos novelistas Gion Deplazes, Theo Candinas, Toni Halter e o contista Gian Fontana que publicam em um dialeto do reto-românico, em sursilvano. Dentre os escritores contemporâneos que merecem distinção, destacam-se o romancista Leo Tuor e o jovem escritor Arno Camenisch, ambos naturais de Surselva.

Nossa literatura brasileira também tem se inserido na vida literária Suíça. Há três anos nós do Varal do Brasil estamos presentes no Salon International du Livre et de la Presse de Genève levando autores de língua portuguesa. Até agora, mais de duzentos títulos e mais de cinquenta autores já estiveram e estarão conosco, entre eles, para 2014, Luiz Ruffato, Alice Ruiz e Cintia Moscovich, além de mais de trinta autores vindos da Europa, Estados Unidos e Brasil. Estes autores são prestigiados no evento não apenas pelas comunidades brasileiras e portuguesas, mas também pelas de outros idiomas e culturas que se interessam vivamente pela nossa língua.

Dos escritores brasileiros que escrevem na Suíça, temos por exemplo Gorete Newton que se escreve livros infantis e literatura espírita; Samaritana Pasquier, autora de um título em francês onde a mesma se interroga sobre ter-se ou não tornado uma suíça. Temos Túlia Lopes e Marcelo Candido Madeira, com livros e áudio-livros infantis; Emilia Nelsi e Sandra Betontte na poesia. Lúcia Amélia Brulhardt, que trabalha em prol de mulheres desamparadas e traficadas com sua Associação Madalena’s, escreveu um livro sobre sua trajetória de vida na Suíça e agora um livro infantil que tem como intenção principal a prevenção do tráfico de crianças. Este livro, editado em papel, e-book e áudio-livro, vem alcançando um vivo sucesso por onde passa.

Eu mesma, autora de dez livros que são comercializados no Brasil e na Suíça, criei em 2009 uma revista literária digital, a revista Varal do Brasil, que com proposta descontraída vem conquistando um grande público ao redor do planeta. Mais de mil autores já passaram pela revista que é distribuída gratuitamente por e-mail, em redes sociais, sites e blogs.

Temos também a Association Culturelle Varal do Brasil, sediada em Genebra e que labuta incansavelmente, de forma coerente e dinâmica, pela divulgação de nosso idioma, inserindo a língua portuguesa no mercado literário suíço.

Agradeço a todos pela delicada atenção a estas palavras que espero possam ter sido agradáveis a todos.

Muito obrigada!

(Leitura realizada para evento da Divine Académie, por ocasião do Salão do Livro de Paris 2014)

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