Contos e crônicas

ESTOU TENTANDO ENTENDER…

Estou tentando entender a intolerância. Como parte dos seres humanos, gostaria de entender que tipo de sentimento pode fazer com que minha raça exiba com tanto orgulho este sentimento causador de tantos problemas.

A intolerância age em todos os campos sociais. Ela se exibe contra os mais gordos nas passarelas de moda tentando unificar um tipo de corpo. Se explode em bombas de fé extremista e agita bandeiras de falsa paz enquanto mata. Grita contra os jovens na tentativa de esquecer que não será mais jovem.  Abraça as doenças em nome de um deus que não pediu. Massacra as cores de pele pela diferença da imagem. Invoca a fome e institui a ditadura do horror.

A intolerância é magnífica em sua amplitude. É vingativa e suas atitudes. E perigosa em todas as suas conseqüências.

Por que odiar um outro ser humano simplesmente pelo fato de ele chamar a sua crença com outro nome?  Por que proibir, brigar, excluir?

Por que o ser humano não aceita o que é diferente dele mesmo? Por que ele não aceita nem mesmo o que é igual a ele?

O homem entra guerra por um deus. E encerrada a guerra ele determina os padrões a serem seguidos pelo seu deus. E ele olha com ódio todos os que podem parecer diferentes. Ou que simplesmente não queiram ser iguais.

O homem faz da intolerância a sua maior vulnerabilidade. Porquê é quando compreendemos a verdade que a dor se torna insuportável.

As desculpas são vãs, mesmo se elas são inúmeras.

Preto, branco, amarelo, bege, marrom, laranja… todos os seres humanos são compostos da mesma carne, do mesmo sangue e dos mesmos músculos. O mesmo coração bate e os mesmos neurônios fazem funcionar o cérebro.

O que faz a diferença: o peso, a cor, o cheiro, o olhar, a pele, a maneira de falar?

Tudo é muito mais sutil. A intolerância instala-se entre a ausência do amor e a falta de compreensão. A intolerância não é somente o resultado de escolhas infelizes. É o resultado da fraqueza na hora das decisões.

Não tolerar é não aceitar. Não aceitar ultrapassando o direito do próximo. O direito ser exatamente quem é, acreditando no que quiser, vivendo como quer.

E pouco importa o meio social, cultural ou religioso. Ser humano é estar acima destas condições. É compreender que estas mesmas condições que aparentemente nos tornam tão diferentes, servem somente para aumentar o que chamamos de amor.

Tolerar é enxergar longe. É perceber o infinito das possibilidades da energia criativa da qual todos somos parte.

Tolerar é compreender que o que passou, passou. Que as pessoas mudam, que o tempo muda, que as estações mudam. Tolerar é aceitar que o que é diferente no outro pode realmente acrescentar em nós. Tolerar é enxergar a beleza da diferença e fazer dela uma riqueza inesgotável de trocas de todos os tipos.

Tolerar é amar ao ponto de compreender que a intolerância, infelizmente, circula no ser humano como o seu sangue e o ar que ele respira. E tentar, mesmo silenciosamente, erguer o amor acima de qualquer tipo de intolerância.

Tolerar é abrir espaços para que o outro exista sem medo e sem lágrimas.

Não tolerar é humano. Como errar também é. Mas quando se sabe que é erro, fazer de novo não é somente burrice, mas ignorância no verdadeiro sentido da palavra.

Paz aos corações que aprenderam a amar. Paz aos corações que aprenderão a amar. E mais paz ainda aos corações que pensam não precisar amar.

 

Imagem by martinak15

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