Desvarios

SONHOS VINDOS DA INSÔNIA

Ontem, quando adormeci, fiquei tão silenciosa, tão silenciosa, que as asas dos sonhos passaram perto, não me viram e se foram.

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Os sonhos que a insônia me propõe movem meu viver. Me fazem pressentir.

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Venho pelas ruas me contando histórias. A fantasia me estremece e vivo. A cada passo assumo esta vida nova, esta ânsia de existir louca e sem fronteira alguma. Êxtase. Termino o capítulo quando chego ao destino físico. Ou quando passo a exigir detalhes que a realidade me tolhe. Adormeço enquanto tenho horas a cumprir no mundo real. Depois, quando sair novamente, tudo recomeça. E vivo uma outra vez.

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E não é sempre que sonho acordada, olhando as ruas e vivendo o firmamento, mas quando a vida faz de mim a ré, sentada numa arquibancada. Por nada ver através dos vidros, por muito ver além e mais além, do tempo preciso e nunca mais vivido, do tempo perdido por alguns. Construo sonhos apesar das chuvas, neles caminho como alma livre, e vou suprema, o imortal me vive, enquanto o sonho a lágrima enxuga.

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Ao confessar-me inerte e impotente frente a tudo o que desejo, descanso. O que mais é possível fazer por um sonho além de vivê-lo e dele se abastecer do entusiasmo?

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Se desperto ou abro os olhos, é idêntico o receio. De ter sonhado ou ter vivido ou querer ser. Inadmissíveis as sensações. E por que não abandonar a alma célere que se desvia por curtos caminhos? E por que não ser corpo inerte e pálido, fogo sob a pele fria, vislumbrando ao longe a paixão sublime?

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Levanto-me, os olhos cheios de sonhos. Lavo o rosto, a água fria que desperta. Entrego o pão ao estômago, ritual enfadonho que o tempo não conserta. Visto-me, o corpo com tecidos e a alma com desejos e esperanças; uma vontade que não se emenda como esta de ser só criança. Passo a passo a rua vai comigo a um lugar qualquer.

 

Imagem by Unsplash

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