Desvarios

PENSO TANTO…

Há gente que usa máscaras para disfarçar nem mesmo o rosto, mas sim o que as feições deixariam transparecer: sorrisos e lágrimas que nem todos poderiam ver. Outros usam pela diversão de um momento ou outro. E há os que não usam máscaras. Estes últimos são os que, mascarados permanentes, fazem sempre de conta que são o que não são para agradar ou se fundir. As máscaras escondem e revelam, enfeitam e enfeiam. Quem usa máscaras? Quem sabe como tirá-las?

 

Meu grito era para ter saído apenas quieto, no sonho que tive. Mas ele saiu de mim e tomou corpo, ganhou a casa e expandiu-se no meu despertar: fez de minha alegria algo que não me pertencia mais inteiramente, mas que de forma inteira enchia os cantos e fez sorrir outros lábios além dos meus. Meu grito de alegria pela vida atravessou paredes e penetrou corações! Nasci novamente.

 

A noite caiu. O céu tomou suas cores e guardou em uma gaveta secreta. Enegreceu, docemente, sem fazer alarde tomou um azul escuro e vestiu-se. Daqui a pouco receberá as estrelas, que uma a uma, iluminarão sua casa infinita. O céu será festa. Como sempre, a cada noite, será uma festa de estrelas. Algumas, de felicidade, correrão pelo céu. Feliz de quem está sob ele, aguardando o sono, ou cantando e dançando, ou conversando, lendo… Feliz de quem recebeu a noite e com ela viverá até o amanhecer!

 

Faço de minhas palavras, fatos. Elas me acontecem, assim como me acontecem os atos. São partes da minha lavra, amanhecem em minha cama, me chamam pra vida. E eu, adormecida ainda, sorrio e digo bom dia ao clarão que me vê despertar. Sou toda poesia, como o é o dia, na hora de me acordar.

 

As vezes é bom deixar sair um pouco as ideias, os pensamentos, as coisas que vivem dentro de nós e chamamos delírios, loucuras e tomamos cuidado para não dizer e não mostrar com medo de não ser mais categorizados como normais. Quem inventou a loucura? Quem inventou a normalidade? Permita-se ser inteiro!

 

Não importa quantas vezes a vida passe sobre mim. Estarei sempre presente e forte, como uma pedra de rio, sendo lavada, alisada, esculpida. E mesmo que a força de suas águas consiga me levar de um lugar a outro, ainda assim estarei bem, pois saberei usar sua energia para me fortalecer e ressurgir sempre melhor. A água da vida é a que mata a sede ou afoga. Escolha!

 

Imagem by RyanMcGuire

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