História

PAULO CALIL BULOS

Natural do Líbano, Paulo Calil nasceu a 28 de julho de 1878, tendo vindo para o Brasil no ano de 1895, então com 17 anos de idade.

Chegando ao nosso país, radicou-se no sul, na Laguna. Naturalizou-se brasileiro, adotando por pátria a terra que amou desde o princípio, e onde pretendia criar e educar seus filhos.

Casou-se em Tubarão em 1905, com a Sra. d. Diba Calil, filha de Calil Elias Balich, cidadã síria. Desse matrimônio tiveram os filhos: Dr. Abelardo Calil, casado com d. Yvonne; Dr. Armando Calil, casado com a Dra. Nair Santos, que foi sua colega de turma; d. Elisa Calil Mussi, casada com o Sr. Carlos Mussi; d. Nida, casada com Semi Sattar; d. Odete, casada com Jacob Issa; e d. Mary, casada com o sr. Samir Buffara.

Não só o sr. Paulo Calil se fez parte da memória da história da Laguna, como também seus filhos, como Dr. Abelardo, digno e distinto professor do Ginásio Lagunense, lecionando diversas matérias tanto no curso ginasial como na escola normal; comum vê-lo como paraninfo ou patrono de turmas de formando daquele educandário. Casado com d. Yvonne, nos deram d. Nida (Naná) por muito tempo funcionária da Secretaria de Cultura e Turismo; Richard (Xaxá), jornalista e talentoso artista plástico, funcionário da Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal da Laguna; Jacques e Paulo.

Dr. Armando Calil, advogado, Deputado à Assembleia Constituinte e Legislativa do Estado (1947 – 1951), foi a voz da Laguna, sempre presente na Assembleia; depois Procurador e Chefe da Procuradoria da Assembleia Legislativa do Estado (1952 – 1968) e Secretário de Estado. Dono de discursos memoráveis sempre defendendo os interesses e necessidades da Laguna.

Elisa Calil Mussi, casada com o sr. Carlos Mussi, sócio da firma Mussi & Cia., ela participante das campanhas beneficentes da Laguna, membro da diretoria da Sociedade de Assistência e Defesa Contra o Mal de Hansen, e, mãe dos advogados Amir, Megálvio e Eduardo, do empresário Carlos (Carlinhos) Mussi e de Ana Vitória.

Mary Calil Buffara, casada com o sr. Samir Buffara, o qual muito jovem, faleceu. Nos deram Munira e o grande amigo Felipe, funcionário aposentado do Banco do Brasil, caracterizado por sua grande gentileza e fineza a todos os que por ele foram atendidos, não só no banco como em sua convivência.

As filhas de Paulo Calil, Nida e Odete, casadas, foram residir no Rio de Janeiro, não tendo grande afinidade com as gerações da Laguna.

Disse Pery Barreto, quando da morte de Paulo Calil, com o título de “Laguna Ficou Menor”

Paulo Calil morreu. Ele viera da sentimentalidade milenar dos libaneses, aceso de vontades grandes, por um caminho que a ânsia de progresso lhe abrira na direção do ocidente. E fazia quarenta e nove anos que, espírito em plena floração de ideias nobres, entrara a barra da Laguna, onde nunca mais lhe abandonaria a alma dourada de bondade o penetrado sentimento de uma pátria nova.

Laguna estava no seu destino. Viveu em Laguna e Laguna nele viveu. Em nenhum momento ausentou-a do seu coração.

Jornalista renomado, deliciosamente lido no Egito, na Síria e no Líbano, inúmeras mensagens escritas a sua alma endereçou à alma oriental comunicando à esta as alegrias com que o felicitava a cidade escolhida para o decorrer da sua existência lutadora e sã. Amou-a muito, e esse amor está refletido nos edifícios com que aformoseou a sua fisionomia arquitetônica, no trabalhar ininterrupto e honrado pelo qual impulsionou o seu comercio.

Foi um conciliador. Os conflitos de opiniões que agitavam Laguna, muitas vezes se desmoronaram no seu decidido e vitorioso esforço conciliatório.

Era o animador. Não se sabe de esplêndida iniciativa à qual houvessem faltado o amparo da sua bolsa e o poder do seu nome aureolado de prestígio.

Viveu mais para Laguna. Sabemos que, várias vezes, sedutoras posições lhe acenaram dos longes do Líbano, cujo destino político fora confiado a membros da sua ilustre família. Ele, porém, estava espiritualmente preso a esta terra. Tinha o espírito amarrado à fascinação das nossas paisagens.

Adorava comerciar. Preferia ser a vida trabalhadora e risonha que encontrara lugar na dedicação do homem sul catarinense.

Laguna, o Brasil o conquistara para sempre.

Assim foi Paulo Calil para a Laguna, o comerciante alegre, simpático e espirituoso, de atitudes pitorescas como quando adquiriu um lote de tecidos em peças, de um barco que fez água. Colocou ele, em promoção à preço barato, como a saída estava sendo grande, ele passou a misturar, antes molhando, as peças de tecidos encalhadas da loja. Fez com que houvesse comentário popular de que aquele estoque não terminava nunca.

Em sua casa comercial trabalharam grandes personagens da nossa Laguna, tais como o sr. Miguel e Batista Abrahão, o sr. Mirandinha, sr. Donga Mattos, que depois tornaram-se tradicionais comerciantes da Laguna; nosso saudoso Pedro Raimundo, que quando veio para Laguna em 1927, seu emprego foi na casa Novo Paraizo, onde trabalhou até quando foi para Porto Alegre, antes conhecendo aqui Manoel e Agenor Bessa, Arnaldo Carneiro, Pedro Maria, Roberto Natividade e João Rosa, o “Chicão”, quando formaram o Conjunto Choro Chorado, em 1928.

Como empreendedor, Paulo Calil, de uma grande visão empresarial, investiu na Laguna, na rua da praia construiu diversos prédios, além de sua residência na esquina Gustavo Richard com Barão do Rio Branco, hoje Mini Mercado Amandio, e do edifício do Hotel Paraizo, o mais alto da cidade e da região, hoje em seu lugar a Galeria AM Center, inaugurado em 1926, possuía 30 quartos amplos, sala de visitas, copa, salão de refeições e cozinha ampla e bem montada; foi arrendado por Habid Succar e logo depois por Abilio Paulo.

Construiu o prédio onde funcionou a antiga Telefónica, hoje Casa dos Presentes; o prédio onde funcionou sua loja Novo Paraiso, na Gustavo Richard no. 114; possuía casas na rua Barão do Rio Branco, na rua da carioca, no Magalhães e no Mar Grosso.

Acreditando no futuro da praia do Mar-Grosso, nos anos 30, provavelmente entre 36 e 38, constrói o primeiro hotel da praia da Laguna o Balneário do Mar-Grosso, localizado na hoje rua Eng. Gaffrée, direção do calçadão.

Nunca aprendeu a falar corretamente o português, falava e escrevia com os sotaques naturais do libanês, como “temos riscadinas e chitinas ao alcance de cada bolsa”.

Mas se fez entender muito bem por palavras, mas se fazia corretamente pelas ações do seu enorme coração, pelo carinho que devotava aos pobres, era tradicional o presente de Natal, a eles distribuía sempre generosos presentes, desde manhã, lá estava na porta de sua loja, distribuindo para filas intermináveis de crianças, mulheres e velhos…

Foi iniciado e membro da Loja Maçônica Fraternidade Lagunense, dentro da filosofia da fraternidade, ajudou irmãos necessitados, dou o terreno para que se construísse a casa, onde hoje está localizada a loja maçônica, a rua Voluntário Benevides. Contribuiu monetariamente para sua construção, e também saldar todas as dívidas que restaram de sua construção.

Usando das palavras de Nelson Almeida, quando de seu falecimento a 29 de janeiro de 1944:

Como homem, Paulo Calil nunca fez questão de ser bom. A bondade era nele qualidade inata. Lutava, por encobrir esse sentimento, através de artifícios que, uma vez descobertos, mais alto elevam, no conceito dos que o conheciam, o índice de suas belas virtudes filantrópicas. Seu grande defeito era fazer-se de mau, quando, no íntimo, era delicado a mais não poder.

Assistimos comovidos, domingo passado, Henrique, velho pedreiro de Paulo Calil, prestar o último serviço a seu patrão morto. E ficamos pensando como pode túmulo tão pequeno, abrigar tão grande coração…

 

Marega

26.01.2000

 

 

BIBLIOGRAFIA:

 

Jornal  Sul do Estado

 

Jornal  O Albor

 

Informações de

Nida (Naná) Calil Bulos Remor, Felipe S. Buffara e João José (Batista) Abrahão.

 

Registro das Histórias Orais da Laguna

Antônio Carlos Marega

 

O NOVO PARAIZO

 

No comercio desta terra

O Novo Paraizo é rei

Vender muito e ganhar pouco

É a sua divisa e lei

 

É coisa velha e sabida

Por ser verdade de fato

Que o Novo Paraizo

É só quem vende barato

 

Senhoras e senhoritas

Cavalheiros de talento

Compre só no Paraizo

Lucrareis cento por cento

 

As moças vêem de fazer

Esta grande descoberta

As fazendas desta casa

Dão casamento na certa

 

Disse um freguês veterano

Observador perspicaz

Quem compra no Paraizo

É previdente e sagaz

 

Quem se quiser convencer

Deste conceito tão justo

Venha ao Novo Paraizo

Comprar por menos do custo

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