Contos e crônicas

NAFTALINA

Esta noite tive um sonho engraçado…. alguém chegava e literalmente metia a mão nos meus bolsos e tirava de dentro saquinhos de naftalina (fiz até um poema, tá lá no Certas Linhas) que caiam pelo chão e me enchiam de embaraço… eu não sabia o que fazer naquela situação, um monte de gente ao redor, conhecidos e desconhecidos e os saquinhos de naftalina caindo dos bolsos lá no chão…

E o pior? Eu ria! E abraçava velhos amigos, falava com um ou outro passante e ouvia aquela frase tão comum nas rodas: “conta aquela, daquela vez que…!” E me ouvia contando uma história, outra história, mais uma outra…

Na vida real tenho raramente lido os emails (que guardo cuidadosamente em pastinhas para ler desde que minha cabeça seja capaz de fazer um tri coerente). Não tenho visitado com muita freqüência os blogs e sites de amigos (ando com uma cortina de cansaço mental dura de puxar) e fisicamente, ainda mais difícil, me esquivo fortemente do telefone, da porta da rua e das pessoas que amavelmente tentam se chegar.

Fase, eu sei. E luta constante com certeza. Não é toa que tenho ido buscar todo tipo de ajuda possível. Natural (eu sou natural, bem tipo plantinhas e coisa e tal), no Universo (ainda confio na energia universal como sei que a energia universal confia em mim mesmo a gente estando com os fios meio falhos e a comunicação estagnada) e, óbvio para tantos, humano-médico-alopática (os remédios que tanto me assustam hoje em dia me aliviam em muitos momentos). Fui buscar todos os tipos de ajuda porque não tenho vocação pra vítima.

Todos os dias acordo meio sem ter certeza de ter vontade de acordar. Daí, antes de abrir os olhos faço uma espécie de revisão dos porquês. Por quê eu deveria levantar? Enumero mental e coracionalmente, busco a coragem sabe lá onde e levanto. Tem sido assim há semanas… e semanas.

Mas eu sou tão teimosa, tão teimosa. Posso até cheirar a naftalina…mas insisto em me mexer, em não ser consumida. Pelo menos não pelas traças das dores da vida, mesmo que elas doam ainda um tempão.

 

Imagem by jarmoluk

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