Contos e crônicas

FALANDO DE PONTES

A confiança é uma ponte. Construída por mãos fortalecidas de bons sentimentos. Pode levar alguns dias ou muitos anos para ficar pronta. Exige uma mão de obra vigorosa, materiais de primeiríssima qualidade e uma boa vontade sem limites.

Confiança é uma ponte que servirá para unir nos momentos em que as águas estiverem mais turbulentas. Servirá para idas e vindas em instantes de compartilhar pedaços da vida como se fossem alimentos. Servirá para a sobrevivência de um ser chamado amizade, este mesmo que leva à mais pura e verdadeira energia, aquela que chamamos amor.

Pontes devem ser bem cuidadas, mantidas com material de sentimentos saudáveis e sustentadas pelos mais fortes laços.

Uma vez quebrada, uma ponte não se reergue sozinha.

E não será só a vontade dos que destruíram que poderá reconstruí-la. Será preciso muita paciência, muito mais material do que antes, mais força ainda em linhas talvez maculadas por nós que precisem ser desfeitos.

Reconstruir uma ponte requer trabalho de amor quase incondicional. Requer dose massiva de perdão e aceitação.

Pode ser que a ponte consiga reaparecer reconstruída ali, no mesmo lugar. Mas as comparações entre o antes e o depois de sua queda serão inevitáveis e o medo de atravessá-la a cada vez pode invadir o que antes eram apenas bons sentimentos.

Pode ser também que ao cair, a ponte deixe o espaço livre e o correr das águas, a céu aberto, convide a saltar, nadar, buscar alternativas.

A confiança é uma ponte leve, pesada, forte, frágil. Ela dá acesso. Leva, traz, une. Mas não separa. Quem escolhe não cruzá-la ou destruí-la foi também quem a fez.

 

Imagem by 7854

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