Contos e crônicas

DIVÃ DA VIDA

Filhos passam o tempo todo testando a paciência dos pais e depois infernizando a vida destes últimos repetindo que são adultos e que não precisam de conselhos. Passam as fases diversas: dos braços abertos e mãos estendidas para aprender a andar e se levantar aos gritos que falam de ódio e de separação. Querem colo quando pequenos, distância quando jovens e mais colo depois de adultos.

Pais passam o tempo todo perdendo a paciência com os filhos e repetindo os conselhos sobre a valia da experiência vivida. Querem o melhor, sempre o melhor e insistem mesmo se este melhor for apenas um reflexo de si mesmos e não a vontade dos seres que colocaram no mundo. Zelam, amam, detestam, acarinham, xingam. Fazem o que podem, o que antes de ser pais talvez fosse simplesmente impossível. Tornam-se fortes, tornam-se pontes. Exigem, , castigam, aceitam, recompensam.

Enquanto pais não podem apenas amar os filhos sem regras porque a responsabilidade de educar lhes cai sobre os ombros todos os dias. Enquanto filhos não podem apenas amar porque a revolta por ter que cumpri regras lhes cai sobre o coração todos os dias.

Se ao menos uma das partes em um momento da vida se desse conta, enquanto houvesse vida, que tudo o que conta é a presença, a constância do amor, quão irreal possa ser ele na visão de um ou outro… Enfim… Pais e filhos, filhos e pais… Serão sempre amados e por isto mesmo sempre estarão esticados no divã da vida reclamando da carência ou do excesso. E há quem queira entender.

 

Imagem by Olichel

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