Contos e crônicas

A EQUILIBRISTA E O TRAPÉZIO

Neste mundo real onde os cabelos embranquecem e caem e as vozes soam diferentes do que gostaríamos de ouvir, pergunto qual seria o limite (ou linha) Uma simples marca, delimitação qualquer, mas bastante clara, que mostrasse (separasse?) o que é real e o que é sonho, delírio ou qualquer coisa do gênero. Digo delírio, porque é uma palavra assaz utilizada para definir aquilo que pessoas consideradas aquém dos padrões de normalidade costumam ver, viver ou dizer em suas rotinas desconsideradas e destemperadas.

Neste mundo real passos e comportamentos são observados e controlados. No entanto, tudo o que reina é o silêncio. Imenso silêncio hoje a tentar ser bem maior do que ele mesmo foi ontem. Durante o dia ou a noite. Pouco importa. Dores não o comovem mais. E nem removem as lágrimas de dentro para fora dos olhos para que sejam chamadas de vãs. Dores são fortes. Lágrima é mártir. Lágrima é fraca. Lágrimas devem ser caladas. Dores existem para ser suportadas. A coluna suporta a cabeça em pé; os pés suportam as pernas em pé; a cabeça suporta o corpo fixo; o corpo suporta todo o torso e os órgãos, fixo; o corpo suporta as pernas e os braços, móveis; o corpo suporta… O corpo é o que ele suporta. Enquanto ele suporta.

 

Imagem by SnapwireSnaps

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