Contos e crônicas

UM POUCO MAIS DE CONFUSÃO (DE RAIVAS E PENSAMENTOS)

Parece que a raiva não vive só no meu sótão. Ou enterrada sob o meu porão. Várias pessoas ficaram surpreendidas com o que escrevi. Algumas somente surpresas, outras partilhando comigo este algo que nem eu mesma sei explicar. E não explicando também porque se sentem visadas, ressentidas. A raiva magoa.

A raiva a gente vê nos outros. Sente, ouve, corre até de perto se for possível. A raiva passa, até pelo próprio nome, uma sensação extremamente negativa.

Mas começo a pensar que não é. Sabe aqueles desenhos animados que a gente via quando criança, com o diabinho e o anjinho ali, atucanando a cabeça da criatura: faz, não faz; é bom, não é bom… olha… cuidado…. vai em frente!… deixa pra lá…

Mais ou menos por aí. Tá dando pra seguir? Porque eu também estou perdida, já avisei. A confusão começa por mim… Mas raciocine aí: a gente ouve o anjinho hoje. E amanhã. E depois de amanhã. E acaba só fazendo o que o anjinho quer. Imagina só que p* da vida não deve ficar o tal do diabinho!!! Afinal, a gente é um pouco de tudo. E sempre aceitar, aceitar, dizer ok, fazer o bem pelo bem que vem… sei lá… isto deve dar uma sombra imensa atrás da gente. Porque se o anjinho é o bem e o bem é luz, imagino que o diabinho é o mal e o mal é a sombra.

Então é preciso fazer alguma coisa para que a raiva possa se dissipar, ser extravasada, canalizada para fora da gente. Porque é muito melhor uma explosão com alguém de vez em quando do que um belo dia a gente simplesmente implodir.

Entendeu?

Eu estou tentando.

(Depois de um dia de muita raiva não extravasada e querendo muito saber como contactar o diabinho em questão para começar a negociar meu novo modo de vida, tento me recompor com Lori Lieberman cantando Killing me Soflty)

 

Imagem by Seth Woodworth

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