Contos e crônicas

SER O QUE SE É

Eu admiro os intelectuais como admiro os trabalhadores braçais. Admiro os matemáticos como admiro os artistas. Admiro os crentes desesperados e os ateus fiéis.

Na verdade, admiro tudo o que é verdadeiro. Ou seja, admiro as pessoas que fazem aquilo que fazem porque é o que sabem fazer, porque fazem por prazer, por necessidade, por obrigação ou amor. Mas jamais para se impor ou mostrar de si uma imagem que só existe no próprio espelho, no espelho interior. E acabam sendo o que nem mesmo sabem que são.

Certas pessoas tentam em vão me puxar para um lado e para o outro, gentis palavras fazendo as vezes de um balanço no quintal. Eu sorrio. Não sigo ninguém. Elevo meu silêncio ainda mais alto do que minha voz. Quem me conhece sabe. Não sou intelectual, nunca fui. Sou uma trabalhadora da arte, uma apaixonada pela leitura. Tenho talvez um temperamento mais artista do que matemático…. Escrevo apaixonadamente nas horas vagas e trabalho arduamente dez horas por dia em um banco! Creio num Deus de todos e dele sou devota e fiel. Mas sou descrente de quase todas as religiões, elas me desesperam, me assustam com seus dogmas devastadores. Em todas estas encruzilhadas, fora de mim eu sempre escolho aquela que está na minha pele, aquela que eu sinto que sou, que quero ser, que posso ser. Mesmo se por momentos a vida me faça fazer curvas… a natureza reage viva, me sorri e me devolve o que é “meu”.

E neste momento em que várias pessoas mais próximas devem estar recebendo meu “Coracional”, o livro que acabo de editar, fico feliz de poder estar partilhando a minha felicidade. Espero que gostem, ele…sou eu!

 

(Agora que plantei a semente e ela está crescendo, ouço a voz doce de Andrea Ross…)

2007

Imagem by @Doug88888

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