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ENTREVISTA PARA A ESCRITORA TULIA LOPES

Jacqueline Aisenman – Genebra (Suíça)

O nome, o slogan, a combinação dos dois me chamou atenção imediatamente!

VARAL DO BRASIL – Literário sem frescuras

Achei genial, e já quis saber “quem e o quê” estava por trás desse “jogo de palavras”. Quando descobri fui lá e me apresentei para a criadora, promotora, alma desse projeto, Jacqueline Aisenman. E meio “timidamente” disse que estaria interessada em participar ativamente desse, até dira ”movimento literário” que é o Varal do Brasil. E a partir daí comecei a acompanhar as publicações, e fiquei “amiga” da Jacqueline no Facebook.

A manhã de cada dia é alentada com seus posts, às vezes sensíveis e profundos, outras um pouco provocadores, e outros até mesmo dando bronca em “gente chata”!

E claro, não podia deixar de convidá-la a nos contar sua história aqui no Tertulia.

Com vocês, Jacqueline Aisenman, e sem frescuras!

Tulia: Oi Jacqueline, um grande prazer ter você aqui conosco. Dá uma pincelada no seu background e origens. Quando saiu do Brasil e por quê. E por que Suíça?

Jacqueline: Nasci em Laguna, Santa Catarina. Fiz estudos de Pedagogia, transferi para Direito… mas não concluí nenhum. A vida, com sua força, me puxou para outros lados. Trabalhei em jornais catarinenses desde minha adolescência, como redatora e revisora. Fui diretora do Departamento de Museus (Museu Anita Garibaldi e Casa de Anita) e do Departamento de Cultura da cidade de Laguna.

Deixei o país definitivamente em 1990, com minha família (esposo e filhos) para encontrar parte de minha família, já residente na Suíça (minha avó era genebrina). Aqui trabalhei durante quase quinze anos na Missão do Brasil junto às Nações Unidas e depois em banco privado.

T: Como e quando surgiu o Varal do Brasil? Quantas pessoas estão envolvidas ativamente nesse projeto?

J: Em 2008, por razões de saúde, parei de trabalhar fora. Difícil, para quem trabalhou desde os 17 anos de idade! Escrevendo sempre, pensei numa maneira de estar com mais pessoas nesta gostosa aventura que é escrever. Acostumada a ler cadernos literários, pensei em fazer um. Mas, diferente daqueles que lia, queria algo que fosse simples, que tivesse uma conexão com as pessoas e permitisse que mesmo aquelas inexperientes se sentissem à vontade para escrever. Queria uma revista como eu: sem frescuras! E foi o que fiz, criei o Varal do Brasil, literário mas sem frescuras!

O Varal sou eu. A equipe do Varal sou eu!

T: Estou surpresa! Não esperava. Esperava toda uma equipe por trás do Varal. Trabalhas hein?! 

Nos conte, quais foram as maiores dificuldades? Alguma dificuldade a nível cultural?

J: A grande dificuldade é dissociar a palavra Brasil aqui no exterior da imagem deturpada que existe de nosso país. Tenho lutado contra isto sempre. Mostrando em cada atividade do Varal que podemos e devemos mostrar o que temos de melhor na nossa literatura, o que há de mais sincero, de novo, de bom. 

T: Conte-nos sobre a participação do Varal do Brasil na feira de livros de Genebra. Quando foi a primeira participação? Fale também das expectativas para a próxima em maio do próximo ano.

J: A primeira participação do Varal no Salão do Livro de Genebra foi em 2012. Fomos (minha família e eu) levar os autores brasileiros (14 deles presentes mais quase uma centena de títulos) para autografar e divulgar nossa literatura em um estande de seis metros quadrados. Era pequenininho, mas mesmo assim foi um sucesso total!

Este ano de 2013 voltamos num estande de 12 metros quadrados, com trinta e dois autores presentes e mais de cento e cinquenta títulos para exposição e venda. Teve o lançamento de nossa terceira antologia e música e violão chamando para o tema Música e Literatura. Renovamos o sucesso!

Para o ano de 2014 estamos nos preparando para voltar ainda mais confiantes: viremos num estande de 50 metros quadrados, teremos os autores, os livros e mais: exposições de pintura, de artesanato e música! Faremos tudo para mostrar o melhor de nossa cultura e literatura.

T: Quais são os benefícios que o escritor brasileiro pode esperar publicando no Varal do Brasil e também participando da feira de Genebra?

J: O autor que participa de nossa revista está acima de tudo, se divertindo num grande grupo de amigos da literatura! E, sendo o Varal distribuído por e-mail, blogs, sites e redes sociais, ele viaja os cinco continentes. Somos lidos por milhares de pessoas que amam a literatura e a língua Portuguesa.

O autor que participa do Salão de Genebra está, antes de mais nada, fazendo inúmeros contatos que servirão para ele no seu futuro literário. Muitos encontros, coletâneas e outros já saíram a partir de alguma atividade do Varal do Brasil. Estará também divulgando, e muito, o (s) seu (s) livro (s) pois além das comunidades brasileiras e portuguesas aqui estabelecidas, temos notado o crescente aumento de estrangeiros aprendendo o Português e se interessando pelos livros.

T: Vejo que você faz uma “ponte literária” constante entre Brasil e Suíça, e Europa. O que acontece aí? 

J: Acontece muita coisa! Como dito acima, através do Varal, da confraternização através de suas atividades, muito já se formou, muito já se criou, muito tem acontecido e não só aqui na Suíça, mas em outros países. O Varal tem sido inspiração, uma verdadeira ponte, e isto é muito bom!

T: Como te contei antes, eu já dei meus primeiros passos como “escritora”. Comecei com meu blog faz um ano, e agora estou me aventurando com livros infantis com o meu personagem Kabiko. Eu sinceramente acredito que escrever é uma paixão de vários, porém muitas vezes enrustida, pois sempre há aquele medo de se expor. E até de ser ridicularizado por se atrever a escrever. Eu mesma resolvi abrir a boca de dentro quando li um texto onde o autor dizia que “todos temos um livro dentro de nós. E que todas as experiências são válidas de serem contatas porque são únicas”. Foi então que resolvi dar os primeiros passos. E descobri aí um mundo incrível. De autoconhecimento, auto-análise, introspecção positiva e relaxamento através da imaginação e da criatividade. Estou apenas começando e já sei que não paro mais. 

Que conselho você daria a uma pessoa que pensa em escrever, mas ainda não se sente “capaz”? Adoro o slogan do Varal do Brasil – Literário sem frescuras!

 J: Deixo aqui um texto meu que está no site do Varal e foi publicado na orelha do Varal Antológico 2 e também agora no meu mais novo livro, Sentimentos Confiscados. É um texto que escrevi exatamente para isto: mostrar a importância de se escrever por amor!

ESCREVA

Não se preocupe com o pecado das letras e nem com a militar formação das frases. Escreva. Não busque os olhos críticos, tente encontrar os corações. Esqueça os títulos e as graduações, lembre do sentimento puro dos que muitas vezes nem são letrados. Escreva. Rime e brinque, crie, desconstrua, invente, seja poesia e faça poemas de vida. Escreva. Conte o seu dia, o momento do amigo, a saudade do pai. Escreva. Crie personagens, dê-lhes vida, conte histórias. Escreva. Mostre. O perigo não está em alguém não gostar do que você escreveu, nem no estilo, nem nos erros. O perigo está em você não deixar livre sua alma, está em se preocupar com o que os outros fazem, em pensar que existe melhor ou pior. Escreva. Seja você em cada linha, seja cada palavra, viva tudo o que escrever, seja na vida ou na imaginação. Viva. Escreva.
E deixe as críticas para os que não tem nada a dizer…

 

http://tertuliacomtulia.com/brasileiras-no-mundo/jacqueline-aisenman-genebra-suica/

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