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ENTREVISTA PARA A ASSOCIAÇÃO ITALIANA ACIMA

A “A.C.I.M.A.” entrevista a escritora Jacqueline Aisenman, residente a Genebra.

 

A “A.C.I.M.A.” entrevista a escritora Jacqueline Aiesenman, residente a Genebra. Além de escritora, Jacqueline fundou a Livraria Varal do Brasil de Genebra, um ponto de referimento da literatura brasileira na Suíça.

 

A “A.C.I.M.A.” – Associação Cultural Internacional Mandala esta realizando o mapeamento dos artistas brasileiros residentes no exterior.

Este projeto “Vitrine do Artista Brasileiro no Exterior” abraça a arte e a cultura dos povos migrantes em todas as suas formas e manifestações – sejam elas, musicais, literárias, teatrais, artesplásticas, cinema, dança, fotografia, folclore, enfim, todas as expressões artísticas brasileiras.

 

A.C.I.M.A. – Primeiramente, gostaríamos de saber um pouco sobre você: de onde vem, qual sua terra natal? Onde vive atualmente e o motivo que te impulsionou a viver fora do Brasil?

Jacqueline Aisenman – Sou natural de Laguna, Santa Catarina. Vivo em Genebra, Suíça, há 22 anos. O que me trouxe até aqui pode ser dito como uma volta às origens, pois parte de minha família é daqui de Genebra. Minha avó paterna era genebrina e aqui vivia quando cheguei.

A.C.I.M.A. – Como foi sua adaptação na Suíça e quais as maiores dificuldades que encontrou? Contou com o apoio de alguma organização que apoia os imigrantes brasileiros na Suíça?

Jacqueline Aisenman –  Posso dizer de mim mesma que sou uma pessoa de muita sorte, pois além de família aqui, também encontrei um trabalho nos primeiros dias em que me estabeleci. Fui trabalhar na Missão do Brasil junto à ONU, local onde permaneci trabalhando por quase quinze anos. A língua do país não encarei como dificuldade, gostei de aprender pois tinha contato com a mesma quando pequena: meus avós falavam entre eles apenas em Francês! Não tive verdadeiros contatos com organizações brasileiras talvez pelo fato de que, nos primeiros quinze anos, vivi e trabalhei entre brasileiros.

A.C.I.M.A. – Como e quando se dá o seu primeiro contato com a escrita? Sobre qual tema você escreve? De onde vem as inspirações para suas obras literárias?

Jacqueline Aisenman –  Escrevo desde menina e escrevo sobre tudo e em todos os gêneros. Como meu avô paterno, meu pai e meu bisavô paterno antes deles, eram todos jornalistas, acho que algo deles em mim ficou. Durante muitos anos auxiliei meu pai nos trabalhos dos jornais em que ele trabalhou (alguns ele mesmo fundou): fazia redação e revisão de artigos. Depois fui também fazer para outros jornais em Santa Catarina. Trabalhei na elaboração de discursos, trabalhos para formandos em universidades nos mais diversos temas. Ao lado disto, sempre escrevi meus textos: contos, poemas, crônicas, desde muito cedo! Considero que a inspiração vem das emoções sentidas, mas também daquelas que observo no dia a dia passar por mim em vidas que me cercam.

A.C.I.M.A. – Qual foi a pessoa que primeiramente acreditou em seu talento? E qual outra linguagem da Arte tem o seu interesse?

Jacqueline Aisenman – Na minha família sempre tive apoio para escrever. Meu avô paterno me dava “dicas” desde minha mais tenra infância, quando esboçava minhas primeiras histórias! Tive também um tio, Felipe, que me incentivava muito. Me presenteava com muitos livros. Ele, assim como meu avô, me fez compreender a importância da leitura. Tive também excelentes professores que foram de muita importância para que eu continuasse a escrever.

A.C.I.M.A. – Como você divulga o seu trabalho? O que você acha que seria prioritário fazer para divulgar o trabalho dos artistas brasileiros que vivem no exterior?

Jacqueline Aisenman –  Edito meus livros através de um trabalho bastante individual já que encontrar uma editora que banque, não é simples. O mundo editorial é bastante restrito. Faço auto edição. Tenho blog, site e também uma revista literária. Acho que para divulgar os artistas brasileiros vivendo no exterior nada melhor do que a união. Ao invés de várias pequenas associações, grupos, organizações e etc., uma grande e unida associação ou organização que fizesse um recenseamento dos mesmos e trabalhasse na divulgação seria excelente.

A.C.I.M.A. – Como e porque nasceu a ideia da Revista Varal do Brasil e como foi a trajetória até a realização da livraria Varal do Brasil, quais seus propósitos e novidades para 2012?

Jacqueline Aisenman –  A revista Varal do Brasil nasceu do meu amor pela escrita e pelo fato de perceber que existiam muitos cadernos literários, mas a grande maioria em um tom excessivamente intelectual, o que em geral afasta as pessoas que gostam de escrever, mas que têm receio de mostrar o que escrevem. Quis fazer uma revista informal o suficiente para que todos se sentissem à vontade, escritores consagrados e iniciantes, todos juntos. A divisa do Varal é: literário, sem frescuras! Comecei em novembro de 2009, já estamos caminhando para completar o terceiro ano depois de ter editado quase vinte números de revista, entre números regulares e edições especiais! E justamente, percebendo através da revista quantos talentos temos e quanta gente vinha editando livros, senti a necessidade de trazê-los par cá, para o exterior, já que aqui só se encontra, em geral, autores renomados. A livraria iniciou-se em julho de 2012. Contatei Nelma S. de Streel, uma amiga de longa data e com experiência em vendas para ser minha associada e se ocupar das vendas. Ela aceitou e fomos adiante. Em setembro iniciamos então a livraria virtual. Ainda não temos uma livraria física, mas desta forma está sendo até melhor, pois estamos, com a livraria virtual, atingindo outras cidades suíças que Genebra e também outros países além da Suíça. Para 2012, participaremos do Salão Internacional do Livro de Genebra em abril (25 a 29), iremos à Alemanha em maio e em julho estaremos na Itália. Sem falar do lançamento do segundo volume da coletânea impressa do Varal do Brasil, o livro Varal Antológico 2. Lançaremos no Brasil (possivelmente em Salvador e Belo Horizonte) em maio e no segundo semestre lançaremos o livro na Suíça.

 

Entrevista concedida à escritora e editora Sonia Miquelin (Mariana Brasil), da Associação italiana ACIMA (2012)

http://acimamandala.blogspot.ch/2012/02/acima-entrevista-escritora-jacqueline.html

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