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Depois do vendaval

Cheguei…
Depois de um descanso
Depois de uma festa
Há quem me deteste
mas este eu amanso…
Eu trago o trabalho
o óscio, a preguiça
A chuva me atiça
me acalma, me atrai…
Comigo vai a saudade
vem a tristeza,
se dividem as ideias
se esvaem os pesos…
Levo a solidão
Trago-a nos braços
a vida se solidifica
e a morte se dissipa…
Meu tempo é teu tempo
Ares, abertos, estrelas
Paredes distintas se fecham
e nada de cheiro de tinta…
Cheguei…
Fico pouco… só as horas normais
vinte e quatro passando, passando
meus momentos serão soltos
meus momentos serão presos
meus momentos serão pressão
mas nunca serão banais…
O que eu serei
Eu já fui
E nunca fui
E nunca mais serei
O grito dado
O pedido negado
A respiração…
A respiração…
Cheguei…
e mesmo se sou o primeiro
me chamam segunda
a segunda-feira
da semana…
o dia a mais…
um dia a mais…
que ninguém almeja…

(Enquanto lá bem longe de mim o jornal fica anunciando tudo o que não me interessa…)

Photo by Ozgu Ozden on Unsplash

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1 Comentário

  • responder
    Edson Marques
    18 de dezembro de 2007 em 1 h 08 min

    Jacqueline,

    Num só poema você consegue tratar, com maestria, de tantos temas: solidão, ócio, saudade, preguisa, vida, morte…

    Ficou lindo!

    E gsotei do teu comentário no blog Mude.

    Só a Loucura nos livra da loucura!

    Abraços, flores, estrelas..

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